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Letra e Vídeo

Literatura musical

 

Hoje é o dia da vingança de George. Ele decidiu isso enquanto assistia TV comendo pipoca e bebendo coca-cola. Estava entediado, pois a vida dele era um saco. Haviam lhe prometido cheerleaders gostosas, mas ele não conseguia comer ninguém, nem as góticas que se vestiam como vadias estavam interessadas nele. Considerava-se um sujeito inteligente, mas ninguém parecia valorizar isso: tudo o que importava era ser popular, ser bom em esportes. George sempre seguiu a cartilha, fez tudo o que sempre lhe mandaram, só que ainda assim ninguém o notava. Havia cansado de ser um nada ambulante.

Comprou uma metralhadora automática pela internet usando o nome do pai. Demorou alguns dias, mas finalmente chegou. Esperou pelo baile de formatura, para o qual ninguém o chamou para ser par. Era o grande dia para todo estudante, todos estariam felizes e usando suas melhores roupas. George resolveu que faria este dia ser realmente inesquecível, à sua maneira.

Uma bandinha de garagem tocava pop-rocks que tocam na rádio para todos dançarem. Foi quando George entrou no salão, vestindo sua camisa do Justiceiro. Apertou o gatilho com gosto, fazendo seus colegas de classe virarem corpos espalhados pelo chão.

Susana, aquela vagabunda que lhe recusou um beijo: morta. Ralph, o gostosão que ria da cara de George: morto. Rita, que uma vez disse que tinha pena dele: agora vai pro caixão. Mister Sullivan, o professor de educação física que o humilhava nas aulas: virou cadáver com muito gosto.

George já havia produzido uma dúzia de cadáveres quando um policial, pai de uma das alunas, apareceu. Sacou sua pistola e deu um tiro certeiro no braço esquerdo de George, que caiu no chão chorando feito uma menininha. Ele só conseguia pensar que mais uma vez o destino o atrapalhara, estragando o que prometia ser o melhor momento de sua vida.

George foi preso e condenado à morte. Sua família o abandonou e nunca recebeu visitas na cadeia – na verdade só recebeu uma, de um jornalista que filmava um documentário.  Foi só no presídio que descobriu o que era sofrimento de verdade: era currado, espancado e humilhado constantemente por todos. Era conhecido como “Pussy Girl” pelos presos.

Depois de alguns anos, George se arrependeu profundamente do que havia feito. Mas já era muito tarde: a data de sua injeção letal já estava marcada. Antes de morrer, pensou que ao menos conseguiria descanso.

Contudo, havia se enganado. Após morrer, a primeira coisa que viu foi o Diabo em pessoa. Era um cara fino e educado, pensou George. Não havia fogo eterno nem pessoas sendo torturadas, o Inferno era apenas um lugar calmo e bucólico. Foi quando percebeu onde realmente estava: em uma típica High School americana.

– Meu nome é Lúcifer, sou o diretor da escola. – disse o Diabo. – Asseguro-lhe que será aqui onde passará o resto da eternidade, e terá aulas de educação física todos os dias. Aproveite!

George então se ajoelhou e chorou compulsivamente. Foi quando os demônios usando uniformes de futebol americano e roupas de cheerleaders se reuniram em sua volta, rindo de sua cara e o chamando de “chorão” e “mulherzinha”.

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