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Letra e Vídeo

Literatura musical

Eu estou bem

 

 

Eu estou bem. Eu juro que estou bem.

Eu queria que o tempo pudesse apagar as dores e cicatrizes. Mas eu estou bem.

Se lembra de nossas brincadeiras? Como rodávamos e sorríamos? Aquele quente no peito. Éramos um só.

Por que amar nos torna assim tão bobos? Por que nos rendemos aos devaneios e caprichos de nossa própria mente?

Se lembra quando lhe levei um buquê enorme e planejei colocar nossa aliança nele? E quando você surgiu com balões em forma de coração com mensagens dentro?

Os que não amam podem até gritar “brega!”. Mas só eu e você sabemos o que realmente é viver essa pieguice toda.

Mas eu estou bem. Mesmo. Juro. Você se foi? E daí?

Tudo é muito claro agora, muito branco.

As vezes, de madrugada, sinto seu gosto. Sinto seu peso. E dói, sabe?

Desculpa. Estou me lamentando de novo. Você deve ser feliz agora, com outra pessoa. Eu sou muito complicada. Mesmo quando eu fazia você gargalhar eu via o peso da minha complicação nas suas rugas.

Mas eu não acho outro caminho. E não consigo parar de falar de amor. Escrever também, é verdade. Mas falar mais ainda.

Ontem um igual a mim segurou minha mão. Ele toca piano de madrugada e às vezes, quando penso demais em você e não consigo dormir, sento próxima à ele e ouço. Acho que os anjos devem tocar piano.

Eu não sei mais porque escrevo essas cartas. (Será mesmo que são cartas?) Acho que mesmo que você quisesse, não leria nenhuma delas. Acho que tenho fé. Falando sobre nós talvez voltemos a existir.

Sinto o cheiro dos seus cabelos no meu nariz. Como quando eu enfiava meu rosto no seu pescoço. Ele me acalma. O pânico some.

Estou muito melancólica hoje. Me sinto doente.

Semana passada eles falaram que eu vou ficar aqui a vida toda se eu continuar a imaginar você dessa forma. Eles não entendem. Eu preciso de você.

Tive vontade de chorar. A cabeça zunia e meus olhos ardiam. Os coloridinhos todos na minha frente, azul para não chorar, vermelho para não gritar, verde para dormir, branco para relaxar. Cores. Soluções.

Não me deixam ver as estrelas. Dizem que eu posso alucinar, vendo você vindo de lá. Eles não enxergam o que eu enxergo. O bailado! Todo aquele bailado estelar, que se curva quando você passa, abre caminho para seu corpo.

Eles nunca sentiriam o formigamento. Eu vivo separada do resto, mas eu sei que você me observa.

Eu não esqueço nunca. Essa cidade é só metal. Não me deixam ver as estrelas. Alucinar? Eu? Queria poder beber aqui. Em embriagar de vinho com você, como nos velhos tempos.

Espero que você entenda o que estou escrevendo. É complicado, eu sei. Mas minha cabeça ficou toda fragmentada depois da nossa despedida. Eu penso assim, em pedaços. Acho que sinto em pedaços também, pois só sou capaz de viver um sentimento de cada vez. Na maioria das vezes é o amor e a tristeza. Acho que os dois são muito parecidos.

Ontem eu fugi da vigilância e sentei na varanda. O céu estava escuro e as estrelas se espalhavam por todos os cantos. Melancolia. Achei que a esquerda me lembrava seu sorriso.

“Como pode seu amor ter vindo do espaço?” _ eles perguntam.

Você sempre nos viu, não é verdade? E no meio de todos nós você me escolheu, não foi isso? E é aí que tudo se embola, porque se eu fui escolhida, porque fui abandonada? Não fui digna do seu amor? Ou será que…?

Será que realmente enlouqueci de amor? Serei eu realmente sozinha? Será que nunca nos beijamos no espaço? E aquele brilho todo? E os planetas que você me mostrou? Eu nunca sonharia tudo aquilo. Sempre fui muito limitada.

Não sei se você lerá essa carta, nem sei ao menos se conseguirei ouvir sua voz novamente, mas essa noite, enquanto eu estiver encolhida na minha cama, chorando até sufocar, eu tirarei forças de dentro de mim e pensarei em você. E você ouvirá. Daí. Das estrelas distantes, você ouvirá e me buscará. E se não for hoje, não tem problema, eu sei esperar.

Eu estou bem e não tenho pressa.

Espero a vida toda se for possível.

 

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