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Letra e Vídeo

Literatura musical

Ninguém durma

Na verdade era uma semente e não uma nave espacial. E como todas as sementes estava enterrada, não na terra mas no espaço, em busca de água, calor e luz para florescer. Viajando a incontáveis eras, tão distante de árvore de onde viera, enterrada no espaço, banhada por estrelas. Em seu bojo frio e silencioso em segredo sua promessa de vida dormia. Um macho e uma fêmea, ambos nus dentro de suas frias camas de vidro e metal. Ambos com enigmáticos sorrisos nos rostos, ambos portavam no corpo apenas um singelo anel de ouro, tudo que necessitavam para sua jornada. O macho voltado para a fêmea, a fêmea voltada para o macho. Sorrindo eternamente um para o outro. O silêncio dentro da semente cortado apenas pelo sussurrar de máquinas sem alma nem coração, vigilantes atentos da promessa de vida. Prontos para acordar a semente quando a longa noite fosse substituída pela aurora de um novo mundo, com água, calor e luz. Prontos para cumprir a última ordem que receberam antes da semente ser lançada ao sabor do vento. Na cama da fêmea se lia um aviso, escrito com uma letra quente e cheia de vida:

“Somente me acorde ao Amanhecer.”

A fêmea sorria para o macho que retribuía sorrindo em silêncio. Com uma letra firme e cheia de determinação, sua última instrução era clara:

“Somente me acorde quando ELA acordar.”

A semente seguia em frente voando em direção à aurora, em busca de água, calor e luz. E ao amanhecer ela acordaria, e a vida uma vez mais venceria.

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