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Letra e Vídeo

Literatura musical

O Major Tom é um junkie. Viciadaço mesmo. Mas não tem nada a ver com o que se consumia entre os século dezoito e vinte e dois, drogas farmacológicas, sintéticas, injetáveis, bebíveis, cheiráveis, supositoráveis, grudáveis, pingáveis. Também não tem absolutamente nada a ver com as drogas virtuais (que de drogas, no fundo, no fundo, não tinham nada, mas que o efeito placebo era poderoso, isso era).

 

O Major Tom é viciado em raças alienígenas.

  

No século trinta e um, isso tem até um nome: Xenofilia. Ou, afirmam categoricamente os estudiosos mais linha-dura, pseudoxenofilia, porque todos sabem que alienígenas não existem.

 

Claro que também há outros estudiosos igualmente hardcore que afirmam cabalmente que qualquer pessoa que tenha nascido fora da Velha Terra (ou seja, quase todo mundo atualmente) é alienígena, portanto esse tipo de afirmação não faz o menor sentido, não tem a menor cabeção, e por falar em cabeção, o Major Tom (que não é major, nunca foi, e já está tão acostumado com essa sacanagem feita pelo Homem Azul que não consegue mais parar de pensar nele próprio como Major) se pega olhando de banda para Azul-de-Krishna.

 

Que é a coisa mais próxima que ele tem de um alien. Pelo menos em aparência.

 

Dizem que os mundos (ou as naves, ninguém sabe ao certo) do Coletivo Mahavira contém seres tão modificados geneticamente que eles provavelmente já nem se parecem mais com seres humanos tradicionais, papai-e-mamãe, old-terra-stáile.

 

Esse vício começou, segundo ele próprio conta sem o menor pudor a quem quiser ouvir, depois que ele foi seviciado pelos aliens. Vocês não sabem o que uma sonda anal é capaz de fazer a um pobre cristão, ele disse (muito embora ele tenha sido criado como anglicano no norte da Inglaterra, anglicano não praticante muito embora temente a deus de uma maneira assim meio vaga, como de resto costuma acontecer a quem estudou em Eton na infância – e quem estudou em Eton também não se surpreenderia muito com sondas anais, diga-se de passagem).

 

Mas se tem uma coisa que o cidadão-padrão do século trinta e um abomina, não consegue nem ouvir falar, porque e é a coisa mais próxima da pornografia que existe nessa época, é esse negócio de cara chato contando histórias de abdução, ainda mais quando envolvem contato físico com os aliens propriamente ditos.

 

Aí é uma merda.

 

 

*

 

O problema é que Azul-de-Krishna está hétero.

 

Nessa época, orientação sexual é o de menos. O chato é ter alguém no teu pé a toda hora querendo trepar. E O Homem Azul definitivamente is not in the mood for this. Ele está tão entretido em sua busca que toda a sua libido foi para a cabeça de cima, não há a menor de seu pau levantar.

 

Sem contar que o Major Tom não faz nem faria jamais o tipo dele. Se ambos ficassem numa ilha deserta, Provavelmente Azul iria preferir entrar em criossono em vez de fazer sexo com Tom. Mesmo sem equipamento de criossono. E nunca de bruços, claro.

 

Por isso o Major Tom treme e sua frio, ali, perdido no meio de Purgatório, enquanto Azul-de Krishna continua sua busca pelo Coletivo Mahavira. Porque todos sabemos que o Major Tom é um junkie.

 

 

 

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