Ninguém durma
Na verdade era uma semente e não uma nave espacial. E como todas as sementes estava enterrada, não na terra mas no espaço, em busca de água, calor e luz para florescer. Viajando a incontáveis eras, tão distante de árvore de onde viera, enterrada no espaço, banhada por estrelas. Em seu bojo frio e silencioso em segredo sua promessa de vida dormia. Um macho e uma fêmea, ambos nus dentro de suas frias camas de vidro e metal. Ambos com enigmáticos sorrisos nos rostos, ambos portavam no corpo apenas um singelo anel de ouro, tudo que necessitavam para sua jornada. O macho voltado para a fêmea, a fêmea voltada para o macho. Sorrindo eternamente um para o outro. O silêncio dentro da semente cortado apenas pelo sussurrar de máquinas sem alma nem coração, vigilantes atentos da promessa de vida. Prontos para acordar a semente quando a longa noite fosse substituída pela aurora de um novo mundo, com água, calor e luz. Prontos para cumprir a última ordem que receberam antes da semente ser lançada ao sabor do vento. Na cama da fêmea se lia um aviso, escrito com uma letra quente e cheia de vida:
“Somente me acorde ao Amanhecer.”
A fêmea sorria para o macho que retribuía sorrindo em silêncio. Com uma letra firme e cheia de determinação, sua última instrução era clara:
“Somente me acorde quando ELA acordar.”
A semente seguia em frente voando em direção à aurora, em busca de água, calor e luz. E ao amanhecer ela acordaria, e a vida uma vez mais venceria.
Junho 9, 2008 at 1:15 am
Mandou bem, Marcelo! Adorei.
Junho 9, 2008 at 1:21 am
Muito bom, Marcelo! Parabéns!!
Junho 9, 2008 at 2:06 am
Bem legal. Me lembrou A Noite dos Tempos. Mas gostei mais do teu, Marcelo.:D
Junho 9, 2008 at 3:58 am
Obrigado a todos pelos elogios ! Fico muito feliz pelo meu pequeno conto ter agradado a vocês, essa era a intenção. E sim, tem um pouco de “A Noite dos Tempos”, como esqueçer aquela obra-prima ?
Junho 9, 2008 at 12:32 pm
Marvilhoso!! Descrição perfeita da cumplicidade e do verdadeiro amor entre duas pessoas. Parabéns …Vou ficar esperando o próximo.
Junho 15, 2008 at 1:46 pm
Excelente! Um belo conto, Marcelo. Parabéns!
Julho 12, 2008 at 7:05 am
Puxa… a interpretação do Pavarotti é tocante. E seu conto… uau, quantas possíbilidades, quanta simplicidade… gostei muito!
Parabéns, Marcelo!