Tudo que se “passado”.
- Você sente muita pena de si mesma!
Chorou. Coitada. Ela era pequena. Pequena. Assim ó. Ela era.
- Se eu pudesse ao menos ter uma segunda chance.
Segurou forte a minha mão. Tentou me beijar. Boca entreaberta, procurando avidamente a minha. Queria aplacar sua dor com prazer. Sexo talvez a fizesse esquecer.
Coitada. Ela era pequena. Pequena. Assim ó. Ela era.
Criança mimada, desamparada. Contrasenso? Talvez. Não sei se a amo ainda, acho que quebrou, sabe, o nosso amor, cacos brilhantes que cortam o pés.
Ela era pequena. Pequena. Assim ó. Ela era.
- Você é um idiota! Corno! Te traí quando você mais me amava!
Era mentira, eu sabia, queria minha atenção. E como ela sentia dor, pensou em talvez me causar também, compartilhava bem o seu próprio pão.
Pequena. Assim ó. Ela era.
Tentei mostrar, segurei suas mãos, afastei sua boca. Gritei alto. Não era só desejo, era a falta de amor. “Estou morto! Morri pra você. Você me matou aos poucos.” Mostrei de novo.
Assim ó. Ela era.
Peguei minhas coisas, ela ficou nua, pediu, se agarrou em mim, eu era sua tábua, afogada como estava. Fechei os olhos, trinquei os dentes “sem pena dela, sem pena de mim, sem pena de nós.” repeti. Beijei sua testa.
Ela era.
- Você não pode me deixar! Você precisa de mim!
Chorou. Coitada.
Junho 7, 2008 at 9:04 pm
Gostei, Belly! Porque é experimental. Gostei como “ela” foi ficando cada vez menor. Só tive que ler uma segunda vez pra entender que todas as falas (especialmente a 2a) eram dela e não dele; e pra confirmar que era uma relação hetero rs
Pena que não pude ouvir a música (ainda).
Continue escrevendo!
Junho 7, 2008 at 9:09 pm
Sim. Todas as falas são dela. Ele só pondera, só pensa.
É, a parte experimental é essa redução nas repetições, onde cada pequena frase significa um momento ou sentimento que ele tem por ela ou ação. Pensei nessa frase que diminui como um indicador do que ocorre… um termometro.
Obrigada
Junho 9, 2008 at 12:52 pm
Eu achei muito bonito. Um Batmacumba lírico.
Junho 20, 2008 at 5:52 pm
Deixa eu só avisar ao babaca-cretino-desocupado-stalker (ou seria melhor usar isso no feminino?) que vem aqui perseguir a Mariana:
Eu tenho o seu IP e o seu endereço. Te acho FÁCIL e ainda arranjo jeito de te encrencar aí.
Ainda mais que trabalhamos na mesma cidade.
So, acho melhor parar, ok?
Afinal, mal uso de internet em lugar de trabalho é crime.
Julho 12, 2008 at 6:41 am
Legal! Adorei, Belly! Me fez lembrar da Delirium!
Espero ler mais coisas suas!
Bezzozzz!
Julho 12, 2008 at 6:42 am
Esqueci de falar: adorei a música e o clipe. Vou ter que procurar alguma coisa do Luxúria pra ouvir.